Conto com a compreensão de todos. Forte abraço. Maria Angélica“(...) Meu pai sempre dizia que o sofrimento melhora o homem, desenvolvendo seu espírito e aprimorando sua sensibilidade; ele dava a entender que quanto maior fosse a dor tanto ainda o sofrimento cumpria sua função mais nobre; ele parecia acreditar que a resistência de um homem era inesgotável. Do meu lado, aprendi bem cedo que é difícil determinar onde acaba nossa resistência, e também muito cedo aprendi a ver nela o traço mais forte do homem; mas eu achava que, se da corda de um alaúde --- esticada até o limite --- se podia tirar uma nota afinadíssima (supondo-se que não fosse mais que um arranhado melancólico estridente), ninguém contudo conseguiria extrair nota alguma se a mesma fosse distendida até o rompimento. Era isso pelo menos o que eu pensava até a noite do meu retorno, sem jamais ter suspeitado antes que se pudesse, de uma corda partida, arrancar ainda uma nota diferente (o que só vinha confirmar a possível crença de meu pai de que um homem, mesmo quebrado, não perdeu ainda sua resistência, embora nada provasse que continuava ganhando em sensibilidade)”. (Lavoura Arcaica, p.171-172)
Suponho que a Universidade não providenciará um professor substituto, embora tratarei, ainda, de informar-me sobre tal possibilidade. Entendo que o meu afastamento atrapalhará um pouco o cronograma de estudo para este semestre. Conversarei com o chefe de Departamento para verificar quais são as alternativas possíveis para o momento; mas, de antemão, organizarei leituras para compensar minha ausência e tomarei o nosso blog como ponto de encontro quando me for possível estar no computador, como agora o faço. As leituras, bem como a forma de “aproveitamento”, serão designadas correspondendo ao meu período de afastamento. No momento, não estou podendo concentrar-me para tomar tais medidas; no entanto, assim que for possível, providenciarei o que for necessário. Para encerrar, ainda que por ora, reporto-me mais uma vez a Nassar: Preciso, agora, de tempo e, assim:
“o tempo, o tempo, esse algoz às vezes suave, às vezes mais terrível, demônio absoluto conferindo qualidade a todas as coisas, é ele ainda hoje e sempre quem decide e por isso a quem me curvo cheio de medo e erguido em suspense me perguntando qual o momento, o momento preciso da transposição? Que instante, que instante terrível é esse que marca o salto? Que massa de vento, que fundo de espaço concorrem para levar ao limite?”. (Lavoura Arcaica, p.97)
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